sexta-feira, 17 de novembro de 2017
Só para reanimar este espaço, lembro desta imagem. Todos os anos visito o antigo acampamento e me admiro com o fogão alí deixado. Foi um bom companheiro, aqueceu, iluminou e fez, por assim dizer, apreciados repastos para barulhentos comensais.
Todavia, o inverno, chuvas, enchentes, o condenaram ao triste abandono onde vai sendo consumido, ao final é biodegradável.
Abraço amigos
sábado, 26 de setembro de 2015
O CHEFÃO
No velho umbuzeiro tem
muitas tocas e esconderijos, a melhor é do chefão, lado Norte, seco
e ventilado. Na medida, os do Sul, grandes e frios podem ser
facilmente atacados, aqui não tem para ninguém.
Na feroz competição,
ele “não dá e nem pede quartel”, dominante leva tudo por
diante, chegou bem ao final do inverno. Sua aparência revela,
braços e pernas grossos, unhas brilhantes e compridas ele se deu
bem.
Se destaca com um
olhar firme e seguro, é um legítimo “papo amarelo”. Olhar calmo
e confiante, levanta a cabeça e infla o papo intimidando os outros.
Nossa homenagem ao
chefão, a natureza é severa, se chegou até aqui é porque lutou e
venceu.
Abraço amigos
quinta-feira, 14 de maio de 2015
TAMBORIL
Uma vez
que tinha atualizado os temperos, com azeite de dendê e leite de
coco, andava numa fissura por moqueca. Vinha faceiro do centro e,
mala suerte, na frente da peixaria nem uma vaga. Como se diz, Deus
protege as crianças e os loucos, lembrei de uma lojinha mais à
frente, cheguei mas a proposta do comércio era outra. Meio chique,
fresco só atum e salmão do Chile, ficamos alí fazendo onda de
entendidos e tal. Muita influência portuguesa, vinhos, azeites,
congelados de bolinhos de bacalhau, dessalgados e tudo mais.
Ficamos
de cara com o que nos contaram sobre um novo tipo de congelamento com
nitrogênio líquido, pode ser, deve ser, hum. Daí tinha uns pacotes
de “Tamboril”, repetimos encantados quem sabe um “arroz de
tamboril”, muito comum nos restaurantes portugueses. Trouxe um
pacote, para a moqueca, afinal tinha os pertences.
Disposto
me aventurei, no resumo, cebola, pimentão, azeite de dendê, leite
de coco, lata de tomates pelados, tomates naturais, pimentas e alho
poró. No refrigerador do salmão tinha um vinho verde, vá lá.
Na moral,
ficou uma beleza, o tamboril é o bicho, carne branca bem firme,
mergulhado no molho fervente por oito minutos só.
Mas que
peixe é este? Foi a primeira vez que encontramos. Fomos pesquisar,
na internet, certo, surpresa diz que é o mesmo que peixe
sapo.Trabalhando na região de Itajaí fiquei sabendo que existia um
peixe muito importante para exportação, lá conhecido como peixe
sapo. Ora, raramente via no mercado, muito caro, ele tem uma
aparência horripilante, e vive coisa de uns 200 m de profundidade,
poucas embarcações se dedicam à sua pesca.
Na
organização da dieta semanal, no “setor” carnes, peixe é uma
vez por semana, o tamboril, vamos manter este nome, é mais
simpático, será considerado.
Abraço
sábado, 11 de outubro de 2014
COMO SERIA “UM
NOVO TEMPO”
Companheiros fiquei a
imaginar alguns aspectos do retorno deste “novo tempo”.
- Você aí do PRONAF – Prepare-se para o “livre mercado”;
- Você aí do Agro negócio – Prepare-se para o “livre mercado”;
- Você aí do PROAGRO – Prepare-se para o “livre mercado”;
- Você aí da UPA – Prepare-se para o “livre mercado”;
- Você aí do Bolsa Família – Prepare-se para o “livre mercado”;
- Você aí cliente do BB – Vai “sobrar quase nada” disse o soberbo futuro ministro;
- Você aí cliente da Caixa – Vai “sobrar quase nada” disse o soberbo futuro ministro;
- Você aí da Petrobras – Vai “sobrar quase nada” disse o soberbo futuro ministro;
- Estava esquecido ? – o FMI já começou a “sugerir” ajustes – prepare-se;
- Usa o Sus – prepare-se para o livre mercado;
- Recebe remédios de uso contínuo – prepare-se para o livre mercado;
- Você aí do Pró-Caminhoneiro – prepare-se para o livre mercado;
- Você aí do BNDES – prepare-se para o livre mercado
- Voava de vez em quando – vai complicar;
- Comprava um “modelo básico” em grandes promoções – vai complicar;
- Ganha salário mínimo – o soberbo futuro ministro acha seu salário alto;
- É aposentado – o histórico do soberbo futuro ministro é assustador;
- Seu crédito é fácil e barato – prepare-se para o “livre mercado”;
- Você aí do Mais Médicos – vai acabar em todos os sentidos;
- Você aí do Ciencia sem Fronteiras – vai complicar;
- Você aí do Minha Casa Minha Vida – prepare-se para o “livre mercado”;
Abraço amigos
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
ONDAS QUE SE VÃO
A gente
andava assim “di boa” e quando olhamos vinha aquela “parede”,
nossa, parecia que ia acabar com tudo. Como iriamos lidar com a
situação, a leitura dos jornais dizia, “tá corrida a lebre”,
nos restava olhar pasmos.
Mas a
natureza das coisas tem seus métodos de amortecimento, por fim virou
uma espuma e nem chegou à restinga.
Virou o
vento, dizem, mais uma “onda perdida” se aproxima perigosamente.
Ela não
é fraca, vacilar não está em questão, uma embarcação pode
“adernar”, nunca se pode dizer
que não
vai acontecer um acidente.
É
preciso, contudo, reparar que nosso “prático”, mestre de
embarcação, conhece as manhas das correntes de aproximação,
cumpriu jornadas vitoriosas em sinistras tempestades. Nós mesmos,
que observamos de longe, anotamos o alvoroço, se fala, de novo, que
o mar vai tudo levar.
Existe
risco, reconhecemos, mas vamos manobrar e navegar companheiros, nos
resta lutar, lutemos.
Abraço
amigos
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
PAMPO DE "OLHOS VIVOS"
Nossa
intenção era tomar um gostoso café, mas só tinha vaga na frente
da peixaria. Me obriguei a comprar alguma coisa, esportivo fui para o
balcão, farto de tainhas, corvinas, burriquetes, anchovas e uns
pampos. Destes últimos agradou um de “olhos vivos”, prático o
atendente o devolveu limpo e cortado em postas grossas.
Ora, ora,
apliquei um pouco de suco de limão siciliano, sal e pimenta do
reino, só, e devolvi para o refrigerador.
Ocorre
que a Rê passou por aqui para ir com a Florzinha buscar umas tintas
numa loja do Rio Tavares.
Mostrei
para ela, o “olhos vivos” no tempero dizendo que ia fazer no
grill, juntando arroz e salada de tomate. Claro que um tinto dos
Andes estava previsto, nós não respeitamos muito as
regras(vinho/carnes).
Pois
olha, as postas lindas foram para o grill bem quente com um fio de
óleo de girassol no mas. Deixei quieto do mesmo lado até tostar,
praticamente selou como dizem os chefs, virei e logo aprontou. Na
opinião da Rê, todos nós respeitamos, ficou muito melhor do
esperava, crocante por fora e suculento no interior, destacando o
sabor característico do peixe. De início a gente achou que as
partes cortadas estavam grossas demais, não somos manezinhos logo se vê, ao final este fator foi muito importante, não
ressecando e nem “quebrando” durante o cozimento.
De minha
parte valorizei o pampo, reparando que tem de ter os “olhos vivos”,
sua carne tem uma textura firme, branca e de gosto especial sem ser
muito acentuada.
No
improviso, o tinto, o pampo, e uma boa conversa nos divertiu um
monte.
Così
abbiamo trascorso venerdì grazie a Dio.
Abraço
Selso
Vicente Dalmaso
domingo, 3 de agosto de 2014
AGORA
SABEMOS QUE…..
-Podemos organizar um,
ou dois, eventos esportivos mundiais;
-Podemos organizar um
grande encontro dos BRICS;
-Podemos contruir
grandes obras de nível internacional;
-Podemos duplicar a
capacidade dos aeroportos;
-Podemos fazer milhares
de obras de mobilidade urbana;
-Podemos extrair
petróleo como água;
-Podemos “transpor”
o Rio São Francisco;
-Podemos disponibilizar
vacinas carésimas, para toda a população;
-Podemos disponibiliar
imensas quantidades de remédios para população;
-Podemos construir
navios;
-Podemos colher safras
gigantescas;
-Podemos baixar os
impostos;
-Dá para fazer “as
coisas” que precisamos, isso mesmo;
Então:
-Não venha nos falar
em austeridade;
-Não venha nos falar
em “humores do mercado”;
-Não venha nos falar
em “medidas impopulares”;
-Não venha nos falar
em “falta de orçamento”;
-Não venha nos falar
em “choque de gestão;
-Não venha nos falar
em risco Brasil;
-Não venha nos falar
em “artificialismo da taxa de câmbio”;
-Não venha nos falar
em “analistas”;
-Não venha nos falar
em “consultores”;
-Não venha nos falar
em “janela de oportunidade perdida”;
-Não venha nos falar
em “gargalos estruturais;
-Não venha nos dizer
que somos “feios, sujos e malvados”;
-Não venha nos falar
da “opinião publicada”;
Nos informe:
-Que vai fazer para nos
manter esperançosos e confiantes;
-Que vai fazer para
termos condições de trabalhar e evoluir em nossas vidas;
-Que amáveis ações
serão desenvolvidas para nossa alegria e felicidade;
Assim, amigo(a);
-Você ganhará aquele
votinho de que tanto necessita.
Abraço
Selso Vicente Dalmaso
segunda-feira, 21 de julho de 2014
VOCÊ NÃO ACHA UM GRÃO
DE AREIA NO MAR
Criado na vastidão do
pampa, muito antes de conhecer uma simples praia eu ouvia a máxima
do título.
Vocês, no geral, não
pegaram aquele tempo em que “se podia falar as coisas” assim meio
sem cerimônia.
Foi desta forma que
desenvolví uma espécie de “pânico da procura”, se me pediam um
“alicate lá do galpão”, caso não achasse no primeiro olhar, eu
sabia o que iria ouvir.
Agora, já rodado,
chego neste ambiente e penso nisto.
E aí vou sem medo
“encontro um grão de areia” é o destino companheiros.
Abraço
Selso Vicente Dalmaso
terça-feira, 24 de junho de 2014
A FORÇA DE UMA TRADIÇÃO
Um quente vento norte,
mas elas estavam lá, tainhas, muitas delas. Foi meu segundo
“arrastão” da vida, este só de tainhas.
Estou na minha primeira
safra, hoje me juntei com os pescadores, aqueles que ficam olhando
para o mar e ví os sinais do cardume.
Entendendo que um
cardume se aproxima da costa, uma baleeira sai com quatro remadores e
um no leme, deixam um cabo na praia e vão soltando a rede que faz um
semi-círculo e trazem a outra ponta para a praia. Para mim é muito
perigoso o retorna da embarcação que pega as ondas na rebentação
pela popa.
Daí começam a puxar
os dois lados e, por fim arrastam os peixes para a praia. Aqui a rede
era de emalhar e “cerco” ao mesmo tempo.
Aconteceu um problema
de comunicação entre o pessoal de terra e o barco, ao final cercou
somente umas mil unidades, mas grande parte ficou de fora, e logo
chegou um barco motorizado capturando a maior parte, situação que
desagradou a todos e gerou grande discussão. Assim funciona a pesca
artesanal, os equipamentos são simples.
Por acordo anterior
entre as federações de pescadores e surfistas, somente uns pontos
são liberados ao surf durante a temporada da pesca da tainha. Por
vezes se registram conflitos, eu sou favorável ao acordo preservando, nestes dois meses(jun/julho), os locais para a pesca artesanal que mantém esta linda cultura.
abraço
Selso Vicente Dalmaso
quarta-feira, 23 de abril de 2014
A casa sem luxo, sem pintura, coberta de zinco, sem árvores por perto e sem a cerquinha que separava do gado e cavalos do campo. Se o registro fosse seis meses antes, se veria a troupe num rancho de leivas e quinchado de santa fé. A maior lembrança que eu tenho do rancho de quatro águas, raro, é que um dia nosso Taí, guaipeca, osco, cismou de olhar atrás de um roupeiro improvisado naquela rústica morada. Deu nervoso, mandaram a gurizada para fora, pode ser cobra, e o cachorro encanzinado, aí deu para ver era um zorrilho, por isto o silêncio “cachorro velho não late pra este bicho”. Melhor assim, mas como tira ele de dentro de casa sem que ele use, digamos, as suas armas. Ali estava, no comando, aquele companheiro que tinha soluções para as coisas, sabia como fazer. Primeiro um cercado com saída para a porta da rua, depois com uma caneca de água quente, no ponto de chimarrão, derramou um pouco em cima, foi o que bastou, baixou a cola e saiu zunindo campo afora sem deixar um cheirinho que fosse.
Voltemos ao caso das diferenças culturais, de repente nos criamos na fronteira, os costumes eram, para nós muito, muito diferentes. Com algum apuro de análise do cenário se repara num outro bioma, aqui ambiente cultural caboclo/pampeano.O sotaque, por exemplo, daquele povo era estranho, logo que chegamos uma vizinha apareceu, muito simpática foi socializar com os estrangeiros, nós no caso,“qué us pesco Nardo”.
Aquele povo tinha outros conceitos, em vez do poupar, importava aproveitar a vida uma expressão que ficou era “não me venham falar de economia” e “pobre mas café bem doce” esta última era mais na brincadeira. Assim tinha valor o “hoje”, faziam grandes festas, lautos churrascos, marcações festivas, compravam de tudo e muito. Eu que saí para o internato com treze anos, cheio de recomendações de “guardar seu dinheirinho” estudar e não arranjar confusão, ficava intrigado, não era igual para todos, pesava muito mais para nós.
Mais uns anos, agora, “no ponto de sentar praça” aí foi que a situação se tornou grave, era um abismo a diferença. Os companheiros nativos tinham uma espécie de “alvará” para fazer “as besteiras da juventude” como bem entendessem. Entendido que poderiam destruir um ou dois carros em arruaças pelas madrugadas. Nesta época se tolerava que “experimentassem umas coisas” mesmo que proibidas, isso tem de fazer enquanto novo. Comum que algum rolo fosse exagerado, sem problemas, tinham contatos, ajeitavam, não saía notícia na rádio, abafavam. Como dizia Maquiavel, as vezes o uso da violência é válido, quando preciso davam uma coça se algum engraçadinho se atrevesse a perturbar a moçada. Vinha para a cidade uma “equipe” acompanhava um tempo, de longe, resolvendo situações, bem articulados revezavam a lida. A equipe era de valor, também, em atividades fora da urbe, bailes de campanha, por exemplo. Entediada a turma, por vezes, numa propriedade ficava sabendo de um baile local, aí saíam loqueando e, claro ia um grupo no apoio, tipo assim “me repare esta gurizada, ah leva mais uns homens de confiança”. A tal gurizada, sem dúvida tirava o maior sarro dos residentes, riam, debochavam, escorados que tavam.
Sempre curioso com o esquema reparei que ele só terminava quando o chefe sentia que baqueava, aí chamavam o arruaceiro e proferiam sentença, bom agora chega, vem para casa atender os negócios.
Por outro lado os oriundis, saíam com a obrigação de estudar o mais possível, formar-se rapidamente, cuidar da vida e sumir da volta das casas.
Era o que parecia para mim.
Abraço amigos.
Selso
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