quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Aniversariando na Corporação

Aqui nos impressiona a escala dos acontecimentos, o cafezinho, por exemplo, sempre lembra o intervalo de um grande congresso quando todos vão para a cantina, banheiro, fumódromo, enchendo tudo de gente barulhenta. O treino para o alarme de incêndio, parou o bairro inteiro, parecia que ia haver uma passeata, foi lindo.

Todo dia tem alguém de aniversário, então depois de vários tipos de solenidades, firmou um padrão, tudo é padronizado, na sexta-feira chamam os companheiros para uma canção, adivinha qual é, parabéns a você, isto depois de umas brincadeiras, sobre quem você levaria para uma ilha deserta, e outras coisas. É tudo muito alegre, o mestre de cerimônias surgiu espontaneamente, toca um sininho e vai passando nas bancadas chamando para aquele espaço conhecido como a curva do rio.

Depois, corados aniversariantes tem de abraçar e beijar centenas de colegas. Como se vê tudo muito amistoso, mas é com alívio que passa, o pobre escolhido suspira pensando, outro aniversário só no ano que vem. No limite alguns companheiros somem, pedem abono, retornando semanas depois, a maioria, no entanto, segue resignada para o evento.

Por vezes a turma das bancadas exige mais um tempo de tortura, levam imensas garrafas de refrigerantes e um monte de pasteis, coxinhas, bolos e mais parabéns a você. Em geral acompanhado de um monte de pequenos presentes, cada vez que um pacote é aberto eles dizem “óóóó” no meio de gargalhadas.
Me safei este ano, é que estava mudando a turma da ECOA e ocorreu um “vazio” no sistema, o meu mês, janeiro, passou batido.

Cheguei a pensar, eu mesmo vou me apresentar, até parece, precisa ? “Em sociedade tudo se sabe”, dizia o Ibraim Sued. Imagine aqui nas modernas bancadas, todos ouvem as conversas, os telefonemas, conhecem suas expressões e reações. Tenho um livrinho que eu trouxe da academia de Yoga, nesta obra diz simplesmente que não há necessidade de explicar como você é, tudo está “escrito” em seu rosto.
Chegou pelo correio, presente do irmão, uma análise numerológica, dez páginas, tudo o que o especialista pediu foi o dia do aniversário e nome completo. Guardei o trabalho, agora tem mais de quinze anos, de vez em quando vou conferir. Vejam o que diz do dia 22 de janeiro, “Para a numerologia, quem nasce em um dia 22, de qualquer mês ou ano tem um dia natalício mestre” bom para este rodado companheiro. Diz mais, não vou ter problemas financeiros quando envelhecer, por aí sei lá, vai demorar a fortuna, parece não ?

Nossa equipe soma forças com as bancadas vizinhas numa alegre confraria. Assim partimos decididos, depois do trabalho, para um simpático boteco aqui perto. Reza a lenda, a humanidade está duas doses atrasada, quando chegou a segunda cerveja a moçada estava embalada naquela conversa de mesa de bar, uma algazarra só. Eu desandei a contar histórias bobas da infância no interior, quando falo isto nas bancadas a turma sai de fininho dizendo que chegou o cafezinho e outras coisas. Foi assim o aniversário número 31 na corporação.
Selso Vicente Dalmaso

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

CHURRASQUINHO DE GATO

Veio o final do ano, jornada legal, grande evento , convite para todos os companheiros.

Rendeu algum debate a melhor forma de encontrar o local, linda chácara em Piraquara mas não era, digamos, prudente, ficar se perdendo por ali. Experientes companheiros avaliaram os mapas disponíveis, alteraram as referências e deu certo, sem um caso sequer de extravio.

Algumas escaramuças foram registradas no estacionamento, avançar decidido em campos molhados é tarefa que exige certa prática, assim condutores muitos acostumados no trânsito urbano podem ter algum contratempo. Ao sair vimos um caso representativo, carro da colega ficou preso na lama, de pronto batizou os outros carros e pessoas ali perto. Prestativo um companheiro dizia, “se colocar o tapete dos pés na frente das rodas resolve?”..... não funciona, é claro, e mais lama para todo lado.

Enfim na festa cada grupo que chegava, rodava em círculos analisando a situação e depois se dispersava por ali. Passado este momento, iniciava um processo diferente de acomodação em algum grupo ou local. Nesta hora o que pesava eram as atrações do lugar, as âncoras, expressão que os shoppings usam para definir o que atrai, de verdade, os clientes.

Disparou largamente na preferência a banca do espetinho. Podemos lembrar, coisa de trinta anos, o espetinho ou churrasquinho de gato “iniciava sua caminhada”, era visto nas grandes aglomerações populares, o desfile de sete de setembro, na frente dos estádios e outros eventos, sempre com aquela marca, fumaceando e cheirando à carne sapecada. O apelido veio da falta de confiança que havia com a origem da carne, cortada em pedacinhos, bem temperada e sapecada em fogo alto, quem iria saber o que era, filé do supermercado é que não, se comentava, jamais se via um simples traço de carimbo do SIF. Mesmo assim, se ele estava lá, é porque tinha interessados, clientes, foi criando um mercado, um nicho. Infiltrou-se em outros eventos mais tradicionais as festas municipais, de igreja, de associações. Institucionalizado, foi preciso adequar às normas de outros produtos alimentícios. Agora temos a “indústria do espetinho de gato” é um prato nacional, firmas se especializaram para facilitar a situação. Ficou mais simples, os espetinhos vem prontos e embalados limpinhos, e os frigoríficos têm “uma linha” de produtos para esta paixão nacional, carne de frango, de gado, suínos e embutidos só para isto.

Intrigante para os analistas, mas tem uma série de vantagens competitivas. Nem todos são peritos assadores, tipo exportação, de Nova Bassano, qualquer um faz. Não precisa uma faca Coqueiro para cortar, não engraxa as mãos, não precisa prato, você pode sair com ele caminhando, pode ficar em pé nos “bolinhos” enquanto rola uma piada qualquer. E, principalmente é muito saboroso.

De início muitos esnobavam o “prato”, a história tem outros casos (como a feijoada), mas agora se entregam com prazer ao delicioso aperitivo, combina bem com cerveja gelada. Foi o que se viu na festa, ninguém sossegava até sair com um deles, qualquer sabor valia, partia dali para outras barracas. Os em início de carreira aceleravam até o ponto dos coquetéis, gostam de bebidas fortes, alguma coisa que contenha vodka. Os mais rodados, felizes se encaminhavam para mesas estratégicas, perto dos barris de chopp, já passaram para bebidas mais suaves.
Rematando, as crianças colavam na banca e, praticamente exigiam o seu, é para todas as idades. O prático assador de espetinhos, agora é profissão meritória, se esforçava, no limite dava um ponto num lado, virava e pronto lá ia um encantado apreciador do churrasquinho de gato.

Selso Vicente Dalmaso

terça-feira, 25 de novembro de 2008

MARATONA DE CURITIBA

Então, passou a lista de adesão à caminhada/maratona de Curitiba e nos inscrevemos em massa, depois nos informamos, mais de 70 companheiros do CSO, um “case” na comunidade local.

Em seguida formou-se alegre conversa, como vai ser, quem vai treinar e tudo mais. Foi um mês em “aproachs”, compra de leite em pó para a inscrição, distribuição de brindes, garrafas d’água e muita falação.

Sem mais avancei numa prateleira do Shopping e baixei tênis, dry feet, calção e meias, chegando em casa recebi um “era o que precisava mesmo”. Quando falei sobre a dieta especial das últimas duas semanas, fácil, fácil, arranjei outra encrenca, foi no momento que expliquei “lembra da noite do macarrão da maratona de Nova York”, uma expressão que lembro foi “até parece”, mas quando falei num elegante point da cidade melhorou a questão, era para nós dois claro, na última vez o talharim com frutos do mar mereceu duas garrafas de chianti. Chegou o dia, tomei vinho na macarronada; se cada soldado de Napoleão tinha direito a um litro de vinho por dia e ainda lutavam bravamente, eu também posso atacar um frisante.

Fiz uma escala progressiva de treinamento, iniciava com dieta leve: salmão grelhado, pão integral de centeio e óleo de oliva. Repetindo grill de frango e purê, postas de pintado, amêndoas, castanha do Pará, inclusão de caminhadas evoluindo até chegar aos 5 km dia. Fulminou com o combalido Valetik, vamos esperar o próximo mês.



Na sexta-feira chegaram as camisetas, parecia a escalação de uma equipe de competição, os atletas chegavam nas equipes e mostravam-se contentes, provocando um sorrisinho de inveja, aquela pontinha de ciúme, um ciúme bom, ouvia-se algo assim: fui deixar para depois, perdi a data. Na imagem podemos ver uma pilha dos cobiçados troféus, sofrendo análise rigorosa, era um modelo digno da fama da capital, tecido especial, muito bom. E o desenho, muito bonito para completar, deu gosto vestir.


Oito da matina a turma veio para a concentração e o aquecimento, mas o que mais se via era uma alegria muito grande. Um sentimento de que era bom estar ali foi se tornando a marca mais expressiva do momento, o ambiente foi se tornando muito emotivo.

Partiu a turma da corrida dos dez quilômetros, em seguida seria a nossa vez, eu sempre via estes eventos pela televisão, confesso estava encantado com a situação, mais ainda com a “sobra” de uma camiseta permitindo a “inscrição”, em tempo, de mais uma competidora que iria comigo. Faltavam ainda quinze minutos, a concentração para a partida gerou uma tensão inesperada para um grupo que não iria competir. Reinava inteira confiança, tudo parecia muito organizado e adequado. Nesta hora estávamos garantidos com relação ao clima, não havia mais aquela ameaça da chuva, ela tinha causado preocupação por volta de sete horas com uma garoa. Um caminhante partiu decidido com um guarda- chuva gigante, quem poderia prever o clima, eu teria jogado fora o traste inútil para a ocasião, mas ele o manteve sem reclamar.


Zerou o cronômetro digital, seguimos o grupo, de certa forma nos sentimos como passistas de escola de samba, de repente nós estávamos desfilando na avenida cheia de música, colorida com tendas, divisores, um carro de som animava os caminhantes com músicas divertidas, essas de academia. Depois da “bateria” vinha o abre-alas constituído de ciclistas e orientadores. Nós, também, fantasiados com roupas de esportistas e pequenos adereços representados pelas milhares de máquinas digitais, bonés e cintos de utilidades.


Num cenário assim constituído começamos a fazer evoluções, levantar os braços conforme a música, abanando para as pessoas dos prédios e arquibancadas, estávamos atuando, o público reagia e fazia também uma função de platéia, olhava e batia palmas interagindo de modo surpreendente.

Os primeiros três km foram cumpridos assim numa brincadeira só, então numa esquina meio que deu um rolo, amontoou um pouco, aí vimos que a galera sedenta avançou sobre umas caixas de papelão que foram destruídas em segundos. Eram embalagens de copos de água mineral, aqui mais uma vez fizemos o papel de bravos competidores e saímos tomando água de modo teatral, mais uma vez como se vê nas maratonas. Parecia o primeiro ponto meio improvisado, mais adiante passamos por tanques com gelo e copos de água fresquinha, foi mal, nós tínhamos feito, digamos assim, uma batalha campal por copos de água quente, que fazer. Na briga feia ainda perdemos um tempo precioso, ficamos para trás do pelotão principal, era uma subida e ninguém tava aí para dar uma acelerada, era o km 4.















Cansou a jornada, então nova onda de euforia percorre os atletas, agora o pórtico tem uma faixa que diz CHEGADA, espécie de praça da apoteose, nos sentimos recompensados com a manifestação de carinho da comunidade, emoção por uma singela conquista. Na área da dispersão fizemos as últimas fotos com medalhas de participação e ficamos por alí valorizando e consumindo frutas.
Queremos registrar um sincero agradecimento pelo evento em sí, foi um tempo de felicidade, simples e breve como são estas coisas.
abraços
Selso






quarta-feira, 15 de outubro de 2008

OUTRA GREVE COMO ESTA E ESTAREI ACABADO

Greve nacional, já é a segunda semana, parecia que ia bem, todo dia assembléia no sindicato, depois um chopp e conversas gerais. Complicaram-se as coisas, acompanhe o relato de um simples dia.

Primeiro corri um pouco na canaleta do bi-articulado (se você não é de Curitiba merece uma explicação: trata-se do corredor de ônibus local), os residentes apreciam correr por ali, cheguei com uma garrafa de água e me atirei no sofá. Preguiça geral, fiquei zapeando nos canais da TV a cabo.

Sem experiência em folguedos, deixei a tela aberta , foi quando chegou sentença “precisa arrumar um pouco a casa”. Não estava preparado para aquele duro teste. Devia ter dito de cara, tem reunião para o plano de contingência. Começou a luta, empurra tudo que é possível para os cantos, limpa a poeira, passa um pano úmido com um produto qualquer de limpeza, nem vou imaginar qual é, tem dezenas, para cozinha, piso, banheiro, vidros, gorduras, roupa leve, tira- manchas, amaciante e tantos mais. Acaba com outro produto, é para dar um cheirinho. Esportivo, fui para a atividade, um apto que eu chamo de super mini, não pode ser tão difícil, logo termina, negar ajuda não é, digamos, prudente. O conceito de limpeza e organização que eu tinha sofreu golpe fulminante, “não é assim” e pronto lá veio monstruoso retrabalho, lembra o que significa esta palavra? Foi uma provação geral para enfim receber um “de acordo” na minúscula salinha de estar. Enquanto isto intermináveis procedimentos estavam em curso no banheiro, eu fiz de conta que estava atarefado com a salinha e nem apareci, só cuidava o vai e vem atrás dos inúmeros produtos.

Desolado olhei para a cozinha, coisas do jantar anterior e café, amontoados. Nem esperei ordem, fui lavar, mas descuidado molhei o chão que ficou cheio de marcas de chinelas para todo lado. Mais encrenca, não estava previsto, além disto tinha muitas regras para o quesito das louças, copos de vinho tem de ficar em cima de um pano seco. Eu tentei secar imediatamente, não deu certo, encheram de fiapinhos, gerou inconsistência.

“Já que você está aqui”, quando ouvir esta frase, levante-se prontamente e saia em disparada, é claro que vem convocação para uma tarefa qualquer. Por exemplo, já viu como pesam estes colchões modernosos, tinha que virar o sacana, balançou, ameaçou derrubar tudo, resultando em lesão perigosa nas costas. A lida da casa ainda estendeu-se por largo tempo, dei por resolvida a minha parte e liguei a TV de novo, debaixo de uma chuva de protestos.

Chegamos tarde no “kilo” para o almoço, numa delicada conversa, se existe coisa que enerva as mulheres modernas é arrumação na casa, qualquer expressão que passe de um “pois é” pode ocasionar uma tempestade tropical.

Queria voltar para casa, o sol caprichoso entra no quarto, é tão gostoso cochilar na sesta. Mas foi preciso, ainda, buscar roupas na lavanderia, um par de botas no sapateiro e pagar o IPTU numa casa lotérica, a fila era gigantesca, bancos em greve já viu não é?

“Sabe que só você faz aquele chimarrãozinho”, assim perdi uma parte dos leões caçando no Serengueti, é o destino.

Arrematei o dia fatídico deixando o leite ferver e derramar sobre o fogão, falha de conformidade que enfurece a mais fleumática das companheiras.

Agora, depois de uma semana de “férias” estou com os nervos em cacos, adiei a aposentadoria para depois de 2014.
Selso Vicente Dalmaso

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

SEU TERRITÓRIO É DE OUTRA PESSOA, TAMBÉM....

Como são as coisas, o destino se encarrega de arranjar sempre novidades. Sabemos que marcha, decidido, o projeto do segundo turno.

Mas que interessante, a mesma estrutura servirá para duas turmas. “It sounds good”, que lindo! “otimiza” o equipamento, não é mesmo? Significa dizer que, por exemplo, o mesmo local vai ser usado em dobro.

No lado prático, tem umas questões. Seu território agora é de outra pessoa, também.

Chegando, “ele” estranha a regulagem da cadeira, ninguém é obrigado a ter 1,90 de altura. Prático, já puxa tudo que é travinha e desenrosca o que mais tiver. Quando você retornar, vê se aproveita alguma coisa.

Em seguida empurra o monitor para léguas de distância, de repente mais jovem, não entende as pessoas que trabalham colado, pensa “deve ser prejudicial”, dá um nervoso, sabe lá. Automaticamente vai tateando aquelas teclas de regulagem do visor alterando tudo.
Outra coisa, levanta a CPU e deixa virada contra a parede da baia. Cada um tem seu modo, claro. Você volta e seu querido micro está zunindo nervosamente.
Um caso especial é o mouse, nem é de acreditar, mas é assim, ele é deixado cuidadosamente do lado do teclado, já vamos falar sobre este último, e na volta está fora do pad e raspa de modo irritante, ou desliza suavemente sobre a areia.
Não esquecemos do teclado, tratado com deferência, é silencioso, novinho. Na balada vai ficando melado de café, cheio de farelo de bolachas, já soa com aquele tec tec dos filmes.
Diferenças de estilo vão se destacando. Seu grampeador, velho companheiro, aparece repleto de grampos retorcidos, parece uma boca de tubarão com dentes espetados para todos os lados. O contrário também é possível, estes dias um lápis perfeitamente apontado estava milagrosamente disponível.
Paciência, a fila anda, um dia o micro fica ligado, mas “trava” numa tela escura, reset nele. Outro dia, assim que liga, manda mensagens, tipo “o micro foi desligado de modo inseguro”, e retorna uma série interminável de janelas “documento recuperado” deseja salvar, sim, salvar suas configurações, sim, ok, Yes, “atualizações concluídas deseja reiniciar agora”, não, não, e assim vai. O trabalho começa, então escutam-se expressões de ódio, “mas que mania de alterar tudo”, ou mais fúria incontida, “onde estão os meus arquivos”, “não salva mais nada”... virou um esporte, todos acham graça.

Já tem um calendário pendurado na parede interna, aparece outro, na frente do teclado, cheio de rabiscos e avisos. Dilema cruel, você joga o seu fora? joga fora o do parceiro? para não ofender deixa os dois por ali, o pessoal passa e não resiste, tome piadinha, precisa de dois.....

Outra coisa, a decoração da baia: reparamos que cada um tem um estilo, mas existem muitas formas de abordagem. Vejamos o costumeiro conflito, a companheira deixa dezenas de “motivos” femininos em destaque. Sua baia é recheada de florzinhas, fitinhas cor de rosa, violetas, mensagens do além e as últimas de um livro qualquer de auto-ajuda. Um bravo exilado, do Sul, toma o lugar, sua motivação é de campos, corridas de cavalos, poesias missioneiras... não combina, não é mesmo. Outro competidor do Sul, atua ali também, é chegado em surf, cercos de tainhas e casquinha de siri. Difícil conciliar com a cultura local...

Existe uma esperança, já se cogita um grande congresso, uma espécie de conciliação de contas, como aqueles famosos grupos para fechar diferenças de balancetes. Ali se formariam turmas para discutir uma forma de convivência, algo capaz de acalmar espíritos sensíveis feridos pela invasão do território.
Os residentes poderiam, assim, conhecer suas “almas gêmeas” de modo a acalmar aquela natural resistência. Um procedimento que equilibraria o fato de que o treinamento preparou, digamos assim, os recrutas, mas os velhos combatentes não estavam alertas para estes detalhes.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

ELES QUEREM DORMIR COM AS VACAS


Insistente noticiário, os fiscais proibiram os peões de dormirem nos galpões, perto do gado, durante a Expointer. Todos os dias entrevistas, comentários.


Descontextualizada a situação virou tema para as mais divertidas piadas, no escritório ouvimos “você viu a gauchada tá no maior desgosto, não pode mais dormir com as vacas”, seguido das mais gostosas risadas, gente ficando tonta de tanto rir.


Eminentes autoridades, não estudaram o caso com profundidade, por exemplo a situação do cabanheiro no preparo de um animal para uma apresentação em certame nacional. Vamos colaborar um pouco neste propósito.

Modernamente o cabanheiro é um verdadeiro especialista, estuda e acompanha o crescimento dos selecionados, é um prático zootecnista. São estrelas cheias de manias e vontades, acostumam e obedecem ao treinador, e reagem à simples aproximação de estranhos, não se pode supor que um terceiro irá revezar à noite no cuidado. Ainda é comum enredarem-se, ficarem estufados pela inatividade, enfim só um experiente profissional mantém em condições um exemplar especial.


Tem outros fatores, é um campeonato, não existe confiança nos outros, não se deixa o “time” sozinho, querem vencer não é um simples esporte, tem dinheiro, negócios envolvidos, deixar os atletas sob risco desnecessário é bem ruim. Sensíveis, os animais sentem qualquer mudança, num torneio leiteiro, por exemplo, qualquer fator externo inesperado pode ser um desastre.


Na prática precisa dobrar a equipe, é simples os animais não podem ficar sozinhos, não podendo dormir por ali, uma parte da equipe tem de ficar acordada. No limite um proprietário resolveu, ele mesmo, passar a noite no galpão perto dos animais, enquanto seu empregado dormia.


Esta situação alterou uma tradição, verdadeira glória para os cabanheiros, passar temporada no parque de exposições, desfilar(eles mesmos) com seus competidores. É, tem uma apresentação, jurados, evolução, notas e troféus, lembra um desfile de escola de samba, existe um público, torcida e imprensa. Comparativamente o treinamento é feito nos galpões de estância, as quadras onde atua o peão. Alegorias e adereços são representados por modismos, jaquetas estilosas, boinas, chapéus, botas e lenços.


Era tudo uma grande festa, cuidar de um campeão, vencer com ele, sim porque se leva uma parte do sucesso. Quando um vence, quem está na órbita leva honrarias da mesma forma, a maior visibilidade é do proprietário, mas o cabanheiro tem méritos reconhecidos.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

ENERGIAS CRUZADAS

É fim de turno, companheiros vão finalmente olhando pela janela, já começam a interessar-se por fenômenos naturais, chuva, temperatura e ventos no meu caso. Cumpriram jornada, tensa, oito horas, telefonemas nervosos, olhos cansados “scaneiam” a tela no exame de tabelas e mensagens. Tudo deveria ser bem resolvido, ali não tem fome, frio ou calor, não existem sem tetos, todos têm assistência, na média muito instruídos, mas existe um fator, o fator humano, reside aí o imponderável.

Como se desenrola esta aventura, um simples dia de trabalho, revela-se um grande complexo, personalidades interagindo numa fina linha de equilíbrio, pequenas coisas se complicam. Grandes análises precisam partir no malote da tarde, mas tem um problema: o ser humano, ele quer atenção, recompensa, realização, afagos, precisa deles. A corporação é gigantesca, mas como recomendava Descartes, dividindo em partes, é como uma série de paróquias. Cada bancada vai se tornando uma entidade, com seus valores, crenças e rituais num sensível balanço todo particular.

Digamos que você precisa falar com alguém, veja, então este ritual de abordagem. Um procedimento recomendado é chegar cautelosamente, fazer alguma evolução para ser notado pelo colega, vale cruzar na frente da luz, parar perto, não muito, abrir alguma pasta , nunca sobre qualquer coisa onde esteja trabalhando, fazer caras e bocas, pode também, um olhar expressivo, coisas assim. An passant, jamais circule sem um maço, no mínimo, de papéis na mão, um ar grave compõe a cena favorável, faz supor que você desenvolve grandiosa tarefa e precisa estudar, ainda mais, a situação. Cumprida esta fase, pode se dirigir, em voz suave ao interlocutor. Altas vozes despertam todos os comentaristas do lugar, várias piadas, olhares irônicos e risadinhas destruirão o cenário que você montou. Na cultura local um assunto comentado em voz alta sugere que várias outras pessoas podem participar do assunto. Por outro lado um clima amistoso e discreto, desperta uma certa inveja, você sai fortalecido, e credencia o amigo como um valorizado consultor, assim que termina sua entrevista o coitado quase sufoca com intensos olhares do tipo “não vai nos contar o que está rolando?”. Quando sair em terreno neutro (corredores em geral) deve cuidar para sempre estar composto, carreiras se perdem por esta falta comum.

Ao falarmos em ritual, é preciso ver como funciona o atendimento dos longos telefonemas. Em geral as pessoas ficam cansadas com uma sequência de diálogos. Claro que já ouviu falar em enriquecimento de tarefa, repare como fazer isto. Uma das coisas piores na vida é não ter importância, assim a primeira coisa que precisa dizer é um comentário ao acaso, “ho ho ligação do diretor logo cedo”, silêncio geral, a bancada inteira vai querer saber do que se trata, estar por fora é fatal neste ambiente. Aqui tem de valorizar, primeiro gire na cadeira fazendo varredura, os companheiros vão como peças de dominó, baixando os olhos para papéis sem valor e depois olham de novo atentos, com um pouco de prática tem-se um movimento de “ola” em estádio de futebol, para melhorar a performance, intercale breves comentários em voz mais alta, tipo, “era a reunião do conselho”, e siga com algumas expressões como “isto é tnt puro”, continuando em sussurros e monossílabos enervantes.

Não esquecemos a expressão “fatiou, avança”, do filme Tropa de Elite. Aqui o tempo está fatiado, a tropa só avança em ondas cuidadosamente estudadas, então existem procedimentos, descrevemos as fatias mais expressivas:
Fatia abertura de jornada – período mágico, com olhos brilhando a moçada vai ligando os equipamentos, olha para os lados, acena alegre, comentários do esporte, trânsito e amenidades. Um comportamento desajustado, é reconhecido facilmente, o mais comum é aquele bravo companheiro disparar temas de fatias de tempo adiantadas. Nesta hora é totalmente desaprovado ingressar em temas difíceis, cenário futuro do preço das commodities, comparado com projeto.

Fatia aquecimento – aqui as principais mensagens foram lidas e, algumas impressas aguardam. Já diminuiu o volume do conversê geral, a concentração aumenta. Ruim nesta hora é comentário tardio de alguma coisa engraçada, cairia melhor na fase anterior.
Fatia do piloto automático – Nossos combatentes estão num ponto de não retorno, prontos para os mais difíceis estudos, rende o trabalho, reuniões nesta hora são o máximo. É tempo de tratar de questões sensíveis. Vai na balada, intercalando uma pequena quebra perto do almoço, pode-se revisar sites de notícias on-line.
Fatia da descompressão – Prepara para a fase que relatamos no início. Inspirada nas maratonas, depois da corrida não se deve parar subitamente, deve-se continuar, ainda em movimentos que vão ficando mais lentos. Permitido, novamente, assuntos alegres e coisas sem importância, como os programas para o fim de semana. Sem condições para temas complicados.

Assim passou o dia, então energias confrontantes faíscam, é o segundo turno, compreensível, abertura e final de jornada vibram de forma diferente.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

O RETORNO



Compromisso no Rio Grande Amado, é formatura na Agronomia, em Pelotas, segunda geração familiar temos de ir. Agenda apertada, escolhemos, modo de dizer, ofertão, primeiro horário para Porto Alegre, meio arriscado, muita neblina por aqui. Mandou bem. Meio de ressaca, tem de acordar às cinco da matina, aliviados fomos manobrando em cima do Rio Guaíba, não demorou alugamos um bravo 1.0 ali na frente do Laçador. Embicamos para o Sul, nosso propósito era lembrar algumas situações e rever lugares, coisa de trinta anos atrás.

Paramos na esquina de Tapes, naquela época este ponto presenciou minha última viagem de carona. Era universitário e visitava um amigo por ali, sem nenhum, chegou a noite e madrugada, embarcamos numa carreta de soja, prometendo acabar com este tipo de aventura, quase se complicou a coisa. Num tempo foi divertido, fazia a rota Pelotas\Porto Alegre, às vezes só para ir a um baile, ou a barzinhos famosos, eu gostava de um ali na ponta da Salgado Filho, mas acabou.
Mais um trecho, chegamos ao Gril, em Camaquã, todo mundo dava um tempo por ali nas viagens era o meio do caminho. Guardo o tempo em que se viajava de “Limousine” era o que seria hoje um microônibus, num motor a gasolina oito cilindros, corria livre a 120 km hora, passava todos pelo caminho. Só depois vieram os famosos Marco Polo, era um case, tinha garçonete, balas, água, café, se a turma da Gol visse. De Camaquã ficou a memória de pesquisa que fizemos, para o Rondon, no primeiro projeto de reforma agrária do Sul do Brasil, no conhecido Banhado do Colégio. É obra do Leonel Brizola, lembrou deste nome, por volta de 1967 se inaugurou a Barragem do Arroio Duro que iniciou o plano. Era de lotes de lavoura de arroz, só vendo para entender a complexidade.

Continua a aventura, passam caminhões com casca de acácia negra, é para extrair tanino, são assustadores, imensas cargas sem proteção vão deixando cair feixes pelo caminho. E mais aquelas carretas de farelo de soja que vão para o porto de Rio Grande, antes chamado de Super Porto do Rio Grande, a gauchada sempre se achando. Lá mandamos buscar a primeira calça LEE, eu tinha 18 anos. Quem trouxe foi um colega que morava no Rio Grande, ele tinha várias, a gente ficava com inveja, custava uma nota, os marinheiros vendiam. Usei, bem assim, um mês inteiro, depois foi lavada por mim mesmo, morava no colégio interno. Começou a ficar desbotada, mais 30 dias e outra lavada, ficou no ponto, finalmente eu me sentia um “igual”. No sábado vinha para o centro, primeiro na lanchonete Forno, depois cinema. Fui conferir, o Forno não existe mais.

Noite de sábado, festa, sessão solene, é a segunda geração dos Dalmaso na Agronomia da Ufpel, inteirou três nomes, não demora, mais um. Visitei a árvore que nossa turma plantou, cada grupo de formandos, simbolicamente deixa uma pequena árvore identificada, no caso, “Formandos dezembro de 1977”. Uma vez mostrei para um paulista, ele fez comentário tipicamente debochado comparando com lápides de um cemitério, francamente ofensivo sem levar em conta o contexto da tradição local, a escola de agronomia tem 125 anos, eu estou no livro do centenário.

Renovei meu juramento, é costume, nas solenidades, os agrônomos presentes são convidados a levantar e repetir as palavras junto com os formandos.

Depois delicadas iguarias, tripa gorda, morcilha, no El Paisano, parrila temática Uruguaia, maioria das opções é de cordeiros. Acompanhou famosa cerveja, em litros, recém agora nossa pátria oferece a primeira marca neste volume.

No remate, baile até o conjunto parar como tem de ser, chegamos “com o pala em tiras” , além de extenuados pela função toda, assim que o avião estabilizou um relâmpago alumiou o céu das dez da noite e mergulhamos em assustadora turbulência por meia hora. A galera em respeitoso silêncio já via próximos os telhados quando a nossa nave acelerou em baixa altitude e foi para os céus de novo, o que teria havido. Enfim veio aviso que havia (pode?) um avião taxiando na pista, volta e descemos quadrado, um baque e freadas bruscas.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

ELEGÂNCIA VEGETAL

“Você não tem um hobby”, disse o meu filho. Ele afirmava que eu devia me preparar para a aposentadoria, ter alguma coisa para fazer. Não tinha mesmo.

Todos os anos, no inverno eu partia para uma tarefa específica, podar as plantas da casa do meu pai, 800 km até a fronteira do Uruguai. Muitos tipos de fruteiras e mais outras para sombra e mesmo ornamentais. Completava o serviço no verão com mais cuidados. Também me iniciei no plantio e acompanhamento de várias espécies. Recebia telefonemas, as parreiras estão no ponto, pode vir podar, tem muito mais serviço. Peguei prática.

De repente era um hobby, agora tenho saudade das árvores que plantei, as minhas árvores. Retorno e visito as companheiras, cuido delas, vejo como se desenvolveram, acerto tendências, limpo os pontos de contaminação, focos de insetos. Desenvolvemos o conceito de elegância vegetal, gostamos delas sempre bonitas.

Sempre que vou visitar um amigo, sem avisar levo a minha tesoura importada, japonesa, aço fino e um serrote especial. Ficamos por ali conversando e tomando mate, eu, claro imediatamente avalio o jardim e quintal. Assim como por acaso pergunto, quem sabe dá uma “ajeitada” naquela velha bergamoteira. Pronto já arrumo atividade e passo horas na empreitada.

Meu compadre, casa nova, grande quintal recheado de espécies para fruta e embelezamento, avisou “pode vir num fim de semana, já garanti um vinho de boa safra”. Imagine, terminou o expediente na sexta-feira, minha “assistente” passou de carro e zarpamos para o Oeste, 540 km, chegamos tarde da noite.

No dia seguinte cuidadoso ritual, primeiro o tal chimarrão, cadeiras no gramado, enquanto rola uma conversa tranqüila analisamos preliminarmente a situação. Antes de iniciar a poda é preciso contextualizar, reparar o conjunto, o papel que aquela planta exerce no sítio, quintal ou jardim.
Depois do café, chega o momento da ação. Trazemos as ferramentas, luvas e óculos de proteção. Alegres e dispostos combinamos a sequência, da entrada da casa para o fundo do quintal. Primeiro duas laranjeiras, iniciamos limpando todos os ramos baixos, atravessados, mortos e doentes. Depois um “clareamento” da copa, ficando bem arejada. Em seguida nos afastamos para olhar, qual artista para contemplar sua obra, e arrematamos com típicos comentários do tipo “ficou bem bom” e coisas assim. Desta forma vamos passando em várias árvores, sempre uma abordagem diferente para cada tipo, estado atual e estimativa de produção. E tome expressões “vai produzir muito”, “agora vai se recuperar”, e outras sempre se achando.

Complicou um pouco a falta de escada, custou quase uma tese para desestimular o compadre que fez uma espécie de escada de corda para empoleirar-se num araçazeiro. Sendo um alto executivo eu não queria que ocorresse qualquer tipo de acidente, destes que a gente vê na imprensa e que prejudicam a carreira de muitas pessoas.
Deu certo completamos o trabalho já passando o meio dia. Logo chegaram tábuas de frios delicados e gelada cerveja. O vinho fino ficou para o jantar.
Este é um hobby, digamos assim, físico, de atividade, interação com o ambiente e as pessoas.
Tenho, também, um hobby intelectual, escrever, só que este é solitário.




domingo, 3 de agosto de 2008

SOLIDÃO CONSENTIDA

Por essas coisas do destino, tive de conviver em ambientes com outras pessoas, colégios internos, alojamentos de companhias, centros de treinamento. Restaurantes coletivos, compartilhamento de mesas com estranhos.

Não me acostumei, sempre tive, um certo gosto pela solidão. Talvez por isto eu não me adapte com multidões, estádios nem pensar. Shows em pé, não vou mais. Prefiro almoçar sozinho, depois vou pela rua ensolarada, pensando, raciocinando, passo na fruteira e em seguida caminho um pouco cuspindo sementes de bergamotas.

Nas viagens gosto de ir sem conversar, só com os pensamentos. De resto “o viajar” se tornou uma espécie de terapia. A regra do homem em trânsito é só relaxar quando está embarcado. Cumprida esta condição, é tempo de refletir, organizar as idéias e planejar. Consigo isto em completo silêncio.

Estando só podemos reparar melhor nas pessoas, seu comportamento. Um banco na frente da praia é muito bom, mas tem uma série de importunos oferecendo coisas. No exterior gostava de sentar numa praça e ficar olhando simplesmente a rua e as pessoas, sem sofrer assédio de ninguém.

Era bom o tempo em que cada profissional tinha a “sua mesa” de trabalho. Estas bancadas, ditas modernas, afetam a personalidade e tiram a privacidade. Sua tela de computador vira uma espécie de vitrine. Também é constrangedor porque ao olhar para o lado lá está o rascunho que seu colega está redigindo. Outra coisa no falar ao telefone, temos de tomar uma atitude neutra em tudo, todos ouvem o que se fala.

Reagindo a isto cada um cria um tipo de “decoração” imprimindo marca qualquer de sua personalidade. Em viagem a Treze Tílias, muitos anos atrás fiquei impressionado com a vocação daquele povo, originário da Áustria, para esculturas em madeira. A cidade promove um torneio juvenil de xadrez, todos os anos, minha filha era da equipe de Lages. Tudo em motivos religiosos, a figura do Cristo aparecia em muitas formas. Perto da praça entrei em pequeno ateliê, pouco maior que uma garagem, tinha uma prancha de madeira, várias obras em andamento e outras prontas. Uma artista trabalhava em nó de pinho, sua especialidade, fiquei muito impressionado. Ela explicou que o nó de pinho figurava no imaginário popular como algo que representa a eternidade, se mantém por muitas décadas depois que o pinheiro morre, ele mesmo, muitas vezes, centenário. Ela só fazia a limpeza externa e protegia com verniz e cera, serrava a parte inferior formando a base e esculpia uma figura do Cristo crucificado, muito delicada e linda dentro de um nicho. Comprei uma delas e é a única decoração da minha bancada, fica ao lado do computador.

É um elemento natural, rústico por um lado, mas tendo uma delicada figura cuidadosamente trabalhada. Todo dia eu olho, passo a mão tirando o pó e faço uma oração singela, sei que é preciso coragem para enfrentar o dia a dia, a imagem me conforta.

A artista gravou seu nome, é Mariana Taller de Treze Tílias(SC).